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Precisamos falar sobre o Puerpério

Atualizado: 3 de abr.

Durante a gravidez, assim como muitas mães e pais de primeira viagem, busquei muitas informações sobre a gravidez em si e tudo o que eu poderia sobre o cuidado com bebês para, assim, tentar me preparar o máximo possível para a chegada do Enzo.


Porém e mais uma vez, negligenciei o autocuidado e mal busquei saber a respeito do que aconteceria comigo no pós parto. Eu tinha uma leve noção, mas nem de longe imaginava o que aconteceria no meu puerpério.


"O puerpério também é conhecido como período de resguardo ou quarentena, já que dura cerca de 40 dias. Durante o puerpério a mulher passa por muitas alterações hormonais, físicas e emocionais." (Dra. Sheila Sedicias - ginecologista)

Para ler a matéria completa, clique AQUI.


Você passa uns 10 meses (não, não são 9 meses se pensarmos em 40 semanas...) preparando o seu corpo e o seu corpo preparando o desenvolvimento do bebê. Para que, então, o corpo volte ao seu novo normal (porque, vamos combinar, voltar a como era antes, isso não é possível) leva tempo. Ou seja, estas alterações hormonais, físicas e emocionais são completamente normais e comuns e eu, claro, passei por elas, mas fui um pouco além...


Num primeiro momento, foi esquisito mesmo olhar o meu corpo, após o parto, pois eu não me reconhecia. Assim, como eu sentia os meus órgãos soltos dentro de mim e todos os dias, no mesmo horário, eu chorava copiosamente e aparentemente sem motivo, por uns 10 minutos.


E no primeiro post do blog (clique AQUI para ler), eu contei sobre a minha "caixinha de pandora" que se abriu após o parto. Pois bem, eu não tinha noção de que os meus conflitos emocionais só estavam começando...


Passaram-se quase 2 meses e o sentimento de tristeza não passava e eu ainda não conseguia olhar para o Enzo e sentir aquele amor que eu vi e ouvi mães falarem sobre os seus filhos. E por isso, eu me sentia ainda pior, na verdade, me sentia a pior mãe do mundo.


E foi durante uma consulta com a então pediatra do Enzo que ela percebeu que o meu puerpério estava um pouco mais intenso do que o comum. Então, ela prescreveu um ansiolítico com dose mínima e que eu pudesse tomar sem interferir a amamentação.


Tomei o primeiro comprimido e naquele mesmo dia, não chorei naquele mesmo horário até então e a sensação era de que eu estava mais leve.


Quando retornei ao consultório da pediatra, ela disse que, caso a medicação não tivesse efeito, ela me encaminharia para um psicólogo, pois eu poderia estar com início de uma depressão pós parto.


Ouvir isso me deixou assustada, ao mesmo tempo que aliviada e grata, porque ela teve a sensibilidade de não só olhar para o meu filho, mas para o meu bem estar também, pois até então ninguém sabia o que estava acontecendo, nem eu. Achávamos que era um processo normal do pós parto. E não era! Eu mantive esse tratamento, com a pediatra me monitorando, por 9 meses.


Por isso, desde então, tento sempre me mostrar disponível para conversas ou qualquer ajuda para as recém mães, pois não sabemos a luta e a solidão que cada uma está vivendo internamente.


Descobri que ser mãe pode trazer à tona o seu lado mais sombrio, os seus conflitos internos mais dolorosos e foi exatamente o que aconteceu comigo...Mas aos poucos, vou contar aqui esse meu processo de evitar que, caso eu decida engravidar novamente, o mesmo (ou pior) aconteça novamente comigo.


Ah, e sobre olhar para o Enzo com aquele amor de doer o coração? Eu lembro exatamente o momento que senti isso: ele fazia 3 meses e o que passei a sentir foi imensurável e só cresce ainda mais com o passar do tempo!


E foi só com a terapia, que comecei este ano, que a culpa sobre isso passou, pois segundo a minha psicoterapeuta "Não quer dizer que você já não era mãe. Pelo contrário, o fato de você se sentir uma péssima mãe, já mostrava o quanto você se preocupa e ama o Enzo desde sempre"


Por isso, gostaria de te dizer: mãe, se você está sentindo uma tristeza muito grande e "aparentemente" sem motivo; se você acha que ainda não sentiu aquele imenso amor pelo seu filho/filha ou se você acha, por qualquer motivo que seja, que precisa de ajuda, então PEÇA AJUDA! Recorra à ajuda, seja de uma pessoa próxima ou de profissional, mas não passe por isso sozinha, porque você não está sozinha!


E para você que conhece alguma recém mãe, ofereça ajuda! Sei que em meio a essa pandemia é muito mais difícil, mas cuide dessa mãe, olhe para essa mãe. O bebê, com certeza, está bem cuidado, mas a mãe precisa de cuidados durante este período. Então, procure saber se ela tem alguma restrição alimentar e mande uma refeição gostosa para ela não ter que cozinhar. Ou faça uma videochamada ou ofereça qualquer outra forma de comunicação para que ela possa desabafar um pouco sobre o que está passando.


Meu marido foi um super parceiro nesse período e o apoio dele para que eu estivesse o mais confortável possível e para que eu me sentisse bem, além de cada pessoa com as quais conversei durante as mamadas, principalmente, as da madrugada e que me ajudaram tanto a não me sentir sozinha, não tem preço!


Precisamos falar mais sobre puerpério, sobre a mulher não ter que carregar o fardo pesado de "ser forte, porque agora é mãe". Esse período pode passar batido e pelo contrário, fortalecer muitas mulheres, mas para uma grande parte, este momento pode ser extremamente difícil e por isso, precisamos de mais compaixão, de um olhar mais humano.