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Sobre acreditar em si mesma e os direitos das mulheres



Um dia desses, olhando o feed do meu Instagram, me deparei com esta pergunta acima e para mim, foi um verdadeiro tapa na cara! (Sugiro que leia também a legenda)


Esta pergunta me fez refletir sobre a minha história e principalmente, sobre os últimos anos em que passei por muitos altos e baixos e inclusive, uma depressão.


Para as questões que sou curiosa e observadora, assuntos que me chamam a atenção, é muito natural eu buscar formas de sanar a curiosidade e todos os porquês que se formam na minha cabeça. E acredito que esse desenvolvimento contínuo, é importante para a nossa evolução e evolução do coletivo como um todo.


Mas e quando esse desenvolvimento pessoal e profissional se transforma numa busca incessante para tentar satisfazer um crítico interno (e também externo) apontando o dedo de que não somos boas o suficiente, merecedoras o suficiente, porque sempre precisamos fazer e estudar mais, para sermos e termos mais?


Até pouco tempo atrás, com a minha ignorância, confesso que eu acreditava que isso era resultado "apenas" da educação recebida e experiências vividas ao longo da vida e que poderia ser contornado com planejamento, organização, terapia, quando necessário e de acreditarmos mais em nós mesmas. Como se isso já não tivesse os seus desafios.


Porém, foi com a pandemia da covid-19 e pela influência de amigas e influenciadoras, que me fizeram ver e me interessar mais pelas questões de desigualdades de gênero, históricas, políticas e sociais das mulheres e os seus impactos.


Ainda sou leiga no assunto, mas gostaria de compartilhar uma rápida pesquisa que fiz sobre alguns fatos e assim, entendermos juntas todo o contexto e o que tudo isso tem a ver com a forma como nos vemos e a organização financeira também. (Vou chegar lá, continua aqui comigo!)


  • 1932: através da promulgação do Código Eleitoral, a mulher passa a ter direito ao voto e à participação política, mas o reconhecimento dos direitos só foram consolidados a partir da segunda metade do século XX

  • década de 1970: os movimentos feministas pela luta ao direito da mulher tomam força

  • década de 1980: começam a surgir políticas públicas voltadas para a mulher e na Constituição de 1988, ampliaram de forma mais significativa os nossos direitos individuais, sociais, civis e políticos


E sobre dados atuais, no relatório sobre igualdade de gênero, emitido pelo Fórum Econômico Mundial, em 2021, o qual ainda não está completamente fechado (a apuração está em um pouco mais de 75%), o Brasil...

  • apresenta uma diferença geral de gênero de 69,5%, ocupando a posição 93 de 153 do ranking de todos os países

  • a participação da mulher no mercado de trabalho ficou entre 59,1% e 61,9%

  • 15% ou menos dos cargos políticos são ocupados por mulheres

  • 10,7% das mulheres estão matriculadas em universidades nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (os americanos usam o termo STEM para designar essas 4 áreas do conhecimento) e os homens representam 28,6%


Entende como tudo é ainda é absurdamente recente? E que por isso, ainda sofremos consequências históricas, políticas e sociais que diminuem nosso valor e direitos e a imposição para sermos perfeitas para, então, sermos dignas de algo?


Então, imagina isso sendo cultivado de geração em geração, seja através do julgamento dessa sociedade ou muito através da preocupação de uma mãe ou cuidadora com as filhas e/ou próximas gerações, para que estivessem melhor preparadas para encarar esse tipo de sociedade.


Além disso, hoje, ainda contamos com a influência das redes sociais que mostram um recorte das nossas rotinas em que, aparentemente, mulheres podem, querem e dão conta de tudo (spoiler com ironia: não dão) e ainda somos julgadas por qualquer ação ou sucesso em algo.


Você concorda que estar o tempo todo sob esse dedo julgador interno e externo de que nunca somos boas o suficiente, pode se tornar um fardo muito pesado? E digo isso por mim, principalmente, pelas experiências mais recentes.


Levei uns 3 anos, entre muitos outros acontecimentos, inclusive perdas de pessoas queridas e pandemia, até me sentir mais à vontade para trabalhar (o que eu nunca parei de fazer após 1 ano do meu filho, mas diminuí muito o ritmo), a escrever, falar nas redes sociais e principalmente, a cuidar de mim.


Por causa da depressão, me coloquei num lugar de não acreditar em mim mesma para nada, a ponto de achar que eu não valia qualquer atenção, cuidado ou desenvolvimento. E quando comecei a me sentir melhor, após tratamento, muita terapia e busca de autoconhecimento, concluí que precisava tirar o atraso do tempo ausente e fazer vários cursos e especializações para, de fato, voltar completamente à ativa. Afinal, "preciso me tornar especialista, senão o que vão pensar de mim?".


De forma alguma quero romantizar a questão, não à toa pontuei os fatos históricos, mas já não bastasse tudo isso, se eu não me valorizar, quem vai?


E claro que especializações, cursos, livros são necessários, mas se não são colocados em prática, de nada valem! E para entendermos como avaliar isso, pergunte-se se há um propósito e objetivo seu correlacionado! (E agora, sim, vou fazer o link disso tudo com as nossas Finanças! Está acabando, tá?)


Assim como tudo na vida, o que pensamos e sentimos movem as nossas ações, então se não pararmos um pouco para refletir a respeito, analisarmos o orçamento para entender a nossa capacidade financeira, a autocobrança e exigência podem comprometer as nossas finanças, quando pagamos pelo curso, livro ou especialização, só porque alguém disse ou fez, sendo que, na verdade, não era bem o que queríamos ou não sabíamos com clareza o objetivo deste estudo para a vida e carreira. Se for um livro de 40,00, tudo bem, mas e se pensarmos num MBA de mais de R$ 20 mil, por exemplo?


Uma vez, publiquei alguns stories no Instagram sobre um curso chamado "Planeje sua Vida" da Fernanda Neute que acontece, atualmente, 1 vez por ano, no início do ano. É um programa de planejamento de vida com base em autoconhecimento, riquíssimo em informações e exercícios práticos.


Confesso que fechei o curso na base do pensamento "preciso disso para fazer a minha vida acontecer", mas o que eu não imaginei é que esse curso expandiria a minha mente num nível que impactou demais a visão que eu tinha de mim e da vida, me fez sonhar pela primeira vez em muitos anos e mudou a minha rotina e disposição.


Sabe por que? Porque a Fernanda me fez enxergar que eu precisava justamente ter essa clareza sobre os meus valores, objetivos e prioridades de vida, mas acima de tudo, para que a vida aconteça, eu preciso acreditar em mim mesma. E ao longo do curso, com os exercícios, percebi que comecei o curso pelos motivos errados. Ao longo do curso, entendi que fiz um excelente investimento, mas poderia não ter sido e sei que me sentiria muito culpada por ter tomado a decisão errada. Provavelmente, daria alguns passos para trás e desistiria de investir em mim por mais algum tempo, com medo de errar de novo e eu iria mais uma vez cair nesse ciclo vicioso.


Clareza. Esse é o ponto mais importante de tudo. Quando temos clareza do ambiente que vivemos (questões históricas, políticas, sociais), dos nossos valores, objetivos e prioridades, da nossa potência e vulnerabilidades, tudo isso torna mais fácil o caminho da aceitação, do acreditar em nós mesmas e consequentemente, das escolhas.


Por fim, gostaria de reforçar aqui que reconheço a minha posição de privilégio, mas por isso também achei necessário compartilhar esse ponto aqui. Não conseguiremos mudar toda a realidade estrutural, mas aquilo que diz respeito ao que pensamos e fazemos sobre nós mesmas, sim, é possível! E que a partir do que fazemos por e para nós, possa ajudar e fazer a diferença na vida de outras mulheres.


Gostaria de saber qual foi o último curso, especialização ou livro que você comprou que você achou que resolveria a sua vida e você se arrependeu. O que isso te mostrou?


Sem julgamentos! Estamos aqui para nos ajudar, combinado?

 

Fontes


1- TAVASSI, Ana Paula Chudzinski; RÊ, Eduardo de; BARROSO, Mariana Contreras; MARQUES, Marina Dutra. Os direitos das mulheres no Brasil. Disponível em https://www.politize.com.br/equidade/blogpost/direitos-das-mulheres-no-brasil/. Acesso em: 04 de abril de 2022.


2- WORLD ECONOMIC FORUM. Global Gender Gap Report 2021. Disponível em https://www.weforum.org/reports/global-gender-gap-report-2021. Acesso em: 04 de abril de 2022.


3- ANTUNES, Juliana. O que é STEM? Disponível em https://tecnologia.educacional.com.br/blog-robotica-e-stem/o-que-e-stem/. Acesso em 04 de abril de 2022.

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